Depois de uma noite fria e dolorosa, em que todo o meu passado voltou e se transformou em presente, estive seriamente indecisa. Sem saber o que fazer, completamente paralisada, não sabia se devia ou podia rir ou chorar, desistir ou lutar por aquilo que mais anseio. A pessoa que fez e que continua a fazer com que o sonho e o sono me invadam sem eu querer acordar mais. A pessoa que eu pensei ter esquecido, a pessoa que eu pensava que não tinha deixado nada em mim, nem saudades. Essa pessoa, voltou e fez com que eu notasse que já não sou eu. Já não sou uma pessoa inteiramente completa. Fez-me notar que dentro de mim, há uma parte vazia e que eu tenho a certeza que mais ninguém, mas mesmo ninguém, vai conseguir preencher essa parte pequena ou grande ainda, da mesma forma e com o mesmo impacto que ele ocupou. Quando eu pensava que sabia o que era amar, agora vejo que estava realmente enganada. Aprendi da forma mais sofrida e mais bonita o que era amar e o mais importante ainda, é que foi com ele. Nesta noite, fria, longa e muito dolorosa, questões e conclusões bombardearam o meu coração e a minha mente ao mesmo tempo. Uma delas, e não foi uma questão mas sim uma conclusão que tenho vindo a tentar esquecer, esconder e apagar, chegou e tive de a enfrentar. E então abri os ouvidos e a mente e deixei o coração falar. Notei que o que sentia por ele não estava totalmente esquecido. Estava apenas esquecido. Eu sei que ele nunca esteve inteiramente comigo, mas ao menos eu sabia que às vezes o tinha. Agora não o tenho, perdi-o. Enfrentar o meu coração e mente com esta conclusão, foi arrebatador, chocante. Simplesmente não há palavras em nenhum dicionário para descrever o que se sente na alma. Só sei que cada vez mais o meu coração sangra, sem parar. Só sei que a cada dia que passa a ferida nele exposta aumenta. Aquilo que eu e aquele a quem me refiro nestas imensas e demoradas palavras tivemos, não foi físico, não foi apenas físico. Aliás, hoje sei que foi o sentimento mais sentido que experimentei em toda a minha vida, até agora. Neste momento, não sei o que quero. Muitos me dizem para o esquecer. Mas quando aquela noite dolorosa terminou e despontou o sol e toda a manhã, reparei que eu talvez ainda não o tenha esquecido por não querer. Porque ainda não estou realmente preparada para a saída dele da minha vida. Por enquanto, quero que mesmo que seja num cantinho, profundo e bem escondido, na minha mente e no meu coração ele esteja comigo e me acompanhe em todos os caminhos que vou traçando no meu destino. Pode ser que um dia, ainda não sei quando nem como, eu consiga dizer-lhe adeus e esquecê-lo. E esqueça também toda a mágoa que ele já me proporcionou. Mas, mesmo assim, continuo a dizer que não quero desistir do meu sonho. Apesar das nossas memórias me trazerem mágoa, reconforta-me o suficiente. Uma verdade é que, não devemos viver agarrados ao passado, pelo simples motivo que já passou. Mas neste tão crítico momento é me completamente impossível esquecê-lo. Neste momento, não consigo procurar por uma borracha que consiga passar por cima e apagar estes momentos que tanto recordo e estes sentimentos que ainda vou vivendo, por mais que sejam mínimos. Até porque, não tenho mais nada. Eu, durante estes 13 anos de vida, não tenho nada tão intenso e calorento para me relembrar.
Mas, quando olho para ele, com esperanças, tento encontrar no seu olhar sinais do que lhe vai na alma. Tento descodificar, o que há algum tempo eu conseguia ver. Tento perceber o que é que ele pensa sobre mim. Tento perceber se ele ainda se recorda de tudo aquilo que passamos juntos. Mas, tentativas após tentativas e, nada. Não consigo. Entre mim e ele existe uma imensa e agora, inquebrável barreira. E essa barreira, que não permite a troca de sentimentos e de sensações mútuas no passado, foi construída apenas por ele.