O meu coração sangra. O sangue não estanca. A ferida não sara. A minha mão treme, cansa-se de escrever e de sofrer. Os meus olhos não têm mais água. Secaram-me as lágrimas, quero chorar mas não consigo. Faltam-me forças para respirar. A minha mente não pensa. Já não sonha, já não procura, já não acredita, já não vive. O meu rosto deformou-se. Os meus olhos mudaram de cor, de um verde vivo, cheio de alma e a tranbordar de emoção para um cinzento vazio e triste que envolve qualquer um numa escuridão inacabavél. Os meus lábios estagnaram, não querem falar. Já não conseguem expressar mais nada. A minha voz morreu. Todos os sons que emito, não passam das cordas vocais. Quero gritar, exprimir-me até explodir, mas algo aqui dentro, algo que desconheço por completo, não deixa. Todo o meu corpo foi sucumbido por uma força sobre natural e incontrolável. Vou morrendo pouco a pouco, sem me aperceber. Sem poder fazer nada para parar aquilo que mais me assusta. A morte. Sinto um vazio enorme que me consome a alma sem cessar. A escuridão aproxima-se. Não encontro luz. Os meus olhos vão-se fechando, devagar. Imagens rápidas e absurdas atravessam-se na minha mente, sem perceber o porquê delas. A respiração diminui segundo após segundo. O coração diminui o seu batimento. Os lábios descaiem. A dor aumenta e tornou-se insuportável. E venceu.