Tudo na minha vida se tornou complicado. Muito mesmo, algo que não estava espera, algo que chegou sem avisar e que me inundou como uma onda de 2 metros forte e densa. Simplesmente deparei-me de uma vez só com uma imensa realidade inesperada e assustadora. Eu não era assim. Eu nunca fui assim. Eu era como ele, pensava como ele, do género: quem está comigo, está. Quem não está que se foda. Mas quando o conheci profundamente tudo mudou. De repente, sem que eu desse por isso. Eu fiz coisas que nunca pensei. Eu tornei-me naquilo que mais temia. Ele deixou muitas marcas em mim, presentes para sempre. Tenho a certeza disso como eu gostar tanto dele na mesma. Eu continuo a amá-lo de qualquer maneira. Eu ainda sonho muitas vezes em poder tê-lo a meu lado. Mesmo depois de tudo o que ele me fez, de toda a dor que eu senti por ele, de todas as lágrimas que ele fez com que nos meus olhos crescessem e que acabassem limpas por aqueles que sempre estiveram comigo, a meu lado mesmo estando muito distantes. Eu olho para mim e sinto um enorme vazio. Toda aquela alegria de vida que eu ganhei com ele desapareceu de qualquer forma. Porque eu podia chorar e sofrer mas eu sabia que tinha algo para fazer, algum objectivo, algo a conquistar mesmo, lá no fundo, sabendo que nunca o podia conseguir por diversos motivos. Eu corria, eu cantava, eu dançava, eu saltava, eu chorava, eu sorria, eu pensava, eu sofria, eu imaginava, eu queria e muitas vezes podia, eu era feliz de qualquer forma. De qualquer forma eu era concretizada, preenchida. Eu era uma pessoa completa. De certa forma sim. Eu sabia que todos os dias eu o tinha ali, para me acariciar. Sentia-me feliz. Todos os momentos que passei com ele ficaram marcados aqui. Guardei-os como um tesouro que não tenho de mais ninguém. Muitas vezes desejei coisas de que me arrependo. Uma delas foi nunca o ter conhecido e por causa dele desejei muitas vezes morrer. Mas arrependo-me de dizer essas atrocidades e digo mesmo: ainda bem que vivo e que o conheci. Com ele aprendi coisas como a ter orgulho próprio, coisa que me mostrou o quanto é importante na personalidade tê-lo pois com esse mesmo sabes bem que ninguém te é superior e que ninguém é mais que tu, em nada. Outra coisa que ele me ensinou foi a ser fria. Com isto começei a proteger-me a mim mesma, a minha frieza tornou-se numa protecção contra todos aqueles que me tentam magoar de variadas formas. E outra não muito boa, mas foi ele e a lei da vida que me ensinou foi a ser calculista no sentido de estar sempre a preparar qualquer acto que tenha, tudo muito bem pensado, por conta e medida. Não fazer nada por impulso, mas sim pensar naquilo que pode vir a acontecer, portanto não me atirar de cabeça para nada. Eu não me tornei nesta pessoa que descrevo porque quis. Mas sim porque ele me assim exigiu, porque se eu não me tivesse transformado radicalmente, eu sei que já não estaria aqui. Eu sei que tudo o que se passou comigo e com ele me levaria a fazer mais loucuras e muito mais perigosas do que eu fiz por ele. Aprendi a dar valor a mim própria, a fazer as coisas por mim e não pelos outros. Aprendi que ninguém deve mudar por causa dos outros. Ninguém se deve transformar em alguém para agradar os outros. Como eu já tentei fazer e não deu mesmo os melhores resultados. Mas apesar de todo os esforço, apesar de toda a realidade que eu agora consigo enfrentar e criticar em mim mesmo, coisa que eu não fazia há 2 meses atrás, eu continuo a sentir-me vazia e apesar de tudo, eu sei que ele me faz falta e eu sei que vou amá-lo para sempre e que nunca, nem quando tiver 30 anos eu me vou esquecer da fase da minha vida que eu passei com ele. Por mais que se diga que se esqueceu de vez uma pessoa, isso nunca aconteçe realmente com "aquela pessoa". Porque sim, ele foi e ele é "aquela pessoa". Foi com ele que me tornei mulher, foi com ele que eu aprendi a amar realmente, ele foi a pessoa que mais me fez crescer por obrigação e de certa forma eu tenho de lhe agradeçer isso. Foi com ele que eu aprendi a cantar as melhores músicas de amor e de entrega. Foi com ele que eu escrevi os melhores textos de sempre. E eu sei que ele foi e é a minha verdadeira e primeira paixão, o meu único amor lúcido e muito sofrido. E o primeiro amor nunca se esqueçe. É aquele que nos obriga a deixar de comer, é aquele que nos faz sorrir e chorar simultâneamente. É aquele que nos faz correr, é aquele que nos faz pensar, é tudo. E foi exactamente isto que se passou com ele. Por tudo isto e muito mais, coisas que eu nunca poderia descrever, eu sei que foi ele. Eu sei que é ele. Foram 3 meses, são 3 meses. E eu vou continuar a contar o tempo. Desde finais de Novembro de 2010.